São Paulo - Os ambulantes do Brás deixam de recolher aproximadamente R$ 1,8 milhão por mês apenas em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O cálculo é da Associação dos Lojistas do Brás (Alobrás), que elaborou e encaminhou um documento à Câmara Municipal de São Paulo relacionando os prejuízos aos cofres públicos e solicitando providências para colocar um fim às divergências entre camelôs e a prefeitura. Elas resultaram em confrontos de rua, assustando os comerciantes e – pior – afugentando a maioria dos clientes.
A entidade preferiu nem estimar as perdas do comércio local com a as quedas nas vendas. Também manteve um cauteloso silêncio sobre os conflitos entre os dois lados: os camelôs, que pretendem continuar nas ruas do bairro, e a prefeitura, que quer colocar em prática um processo de revitalização da região.
Intimidações –No documento, a entidade estima as perdas com os impostos, que somariam R$ 23,7 mil ao ano por ambulante (veja quadro nesta página). "Os produtos comercializados são, em sua maioria, roubados, pirateados ou contrabandeados. Ou seja, um braço do crime organizado", diz a carta enviada à Câmara Municipal, que relata ainda as intimidações que os lojistas estariam recebendo por parte dos ambulantes, incluindo um incêndio a um estabelecimento.
O pedido de ajuda foi encaminhado ao vereador Adilson Amadeu (PTB). Ele informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que deve avaliar ainda nesta semana as reivindicações e ponderações da Alobrás. A intenção é cobrar providências da Prefeitura em relação aos ambulantes.
Empregos –No pedido, a Alobrás argumenta ainda que, hoje, o Brás tem seis mil lojas regulares que oferecem 150 mil empregos diretos e 350 mil indiretos. Para cada camelô, de acordo com a associação, três ou quatro funcionários deixam de ser contratados formalmente.
A Prefeitura de São Paulo informa que antes da atualização cadastral, realizada em abril deste ano, o número de camelôs com Termo de Permissão de Uso no Brás, era de 893. Agora, são 602. A administração da subprefeitura da Mooca, que controla também o Brás, informou, por meio da assessoria de imprensa, que vai manter as fiscalizações e o propósito de revitalizar a área comercial do Brás, removendo ou remanejando ambulantes.
Mário Tonocchi

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