São Paulo - Dia 30 de setembro próximo é o prazo máximo para os partidos definirem seus filiados para as eleições municipais 2008. É também o ponto inicial para que os partidos definam os nomes de seus quadros internos para a sucessão em São Paulo. Em outras palavras, é o momento de tentar impor seu possível campeão de votos aos aliados.
Na luta dos cabeças de chapa, o atual prefeito Gilberto Kassab começa a ganhar peso como a possível candidatura própria dos democratas – fato fortalecido após os resultados positivos das últimas pesquisas sobre sua administração (veja pesquisa Ibope na pág. 3).
O novo fenômeno criou um mal-estar geral dentro do PSDB, principalmente à ala que defende a volta ao Executivo do ex-governador Geraldo Alckmin. Um impasse que pode ameaçar a coligação vencedora e até provocar um racha tucano, já que o apoio à candidatura Kassab é um trunfo bem visto pelo governador José Serra – de olho na ajuda do DEM para sua escalada ao Planalto em 2010.
As candidaturas próprias de Kassab e Alckmin, dividindo o eleitorado, viriam como um presente perfeito para o PT, que alimenta as esperanças de ver Marta Suplicy na briga. Isto é, caso o PSB seja convencido pelos petistas de desistir do vôo-solo da deputada e ex-prefeita Luiza Erundina. Outra divisão de um mesmo eleitorado. Se o cenário persistir, a polarização lulistas-oposicionistas não se repetirá como nas últimas eleições. A pulverização do eleitorado paulistano, pelo menos no primeiro turno, é a perspectiva do momento.
Fator Kassab – "Os prefeitos anteriores foram muito ruins para São Paulo. O Kassab está sendo um excelente prefeito e tem conhecimento pleno da cidade de São Paulo. É um grande candidato e deve ser reeleito", defende o ex-governador Cláudio Lembo, liderança principal do DEM na capital. Ele não descarta possível coligação com o PSDB, mas acredita que seria "ingenuidade" dos democratas perderem o "cabeça-de-chapa" mais bem cotado de toda a história do partido na cidade.
"Como homem de partido que sou, defendo que o Kassab seja nosso candidato já nessa eleição. Porém o processo político é sempre evolutivo, vamos ver o que acontece até outubro do ano que vem", pondera.
O líder democrata se declara defensor ferrenho da reeleição de Gilberto Kassab – com ou sem apoio tucano. "Da minha parte, ficarei com o Gilberto em qualquer hipótese. Porém, acredito que ele deva ser candidato. É jovem, engenheiro, administrador de empresas, economista, um homem com dois títulos na USP, e que está demonstrando uma grande capacidade", afirma.
Lembo diz desconhecer a hipótese, levantada no meio político paulistano, de que o grupo de Alckmin estaria oferecendo a Kassab a candidatura de vice-governador em chapa nas próximas eleições estaduais – um prêmio para uma possível desistência para o pleito municipal. "Não sei se isso é uma posição do PSDB. Não posso me intrometer em assuntos domésticos de outros partidos. Mas, da minha parte, repito: o meu candidato é Gilberto Kassab", frisa o ex-governador.
Evitando comentar as chances de Alckmin no embate com Kassab, o líder democrata enfatiza que não vê candidato com força suficiente para bater a crescente popularidade do prefeito. "Ele é um homem com maior qualificação técnica do que a ex-prefeita Marta Suplicy, possível adversária. Não é somente minha posição como líder partidário, mas também como cidadão paulistano. Ele está mais preparado para servir a cidade", afirma, entusiasmado.
Assediado pela imprensa, o prefeito se esquiva do assunto para não ferir os aliados e desconversa sobre a possibilidade de concorrer contra um candidato tucano. No entanto, em nenhum momento nega sua crescente popularidade, principalmente após a última pesquisa do Datafolha, na qual sua aprovação entre os paulistanos dobrou de 15% para 30% este ano. "Não vejo ninguém com potencial para ganhar do Kassab, com a autoridade que ele tem demonstrado", conclui Lembo.
Apoio do PMDB– Enquanto o prefeito Gilberto Kassab decide seu futuro, aumentando a ansiedade dentro da hoste tucana, alguns partidos históricos – mas não tão bem cotados – já admitem o apoio aos democratas. É o caso do PMDB. "Não temos nenhum candidato. Faremos coligação para vice, que será muito bem-vinda se for junto com o Kassab. Ele vem fazendo uma ótima administração", sinaliza o vereador Antônio Goulart.
Segundo ele, o PMDB quer evitar riscos, como o fiasco das últimas eleições, que desgastou até a imagem do líder Orestes Quércia. Por essa razão, a ala peemede bista sonha com o racha DEM-PSDB.
Fernando Porto

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